Presidente da SaferNetBrasil destaca avanços no combate à pedofilia na web

14/07/2011
Fonte: 
http://portalimprensa.uol.com.br/noticias/brasil/40008/presidente+da+safernetbrasil+destaca+avancos+no+combate+a+pedofilia+na+web/
Autor: 
Luiz Gustavo Pacete | Portal Imprensa
Veículo de Imprensa: 
Veículo Nacional
Criada em dezembro de 2005, a SaferNetBrasil nasceu de uma pesquisa realizada por professores e pesquisadores da PUC. A entidade foi fruto do primeiro levantamento que mapeou a pornografia infantil na internet. Os números levantados serviram como subsídio para iniciar uma forte campanha de combate à pedofilia na web.

Crédito:Divulgação

Thiago Tavares, presidente da SaferNet Brasil
 
Na época, Thiago Tavares, presidente da entidade, e responsável pela pesquisa, visitou os principais provedores de internet, conversou com a Polícia Federal e dialogou com ONGs. O trabalho possibilitou que a entidade se tornasse referência no cenário internacional em combate à pedofilia digital.  
 
Em entrevista ao Portal IMPRENSA, Tavares destacou os principais avanços e diálogos obtidos com a sociedade civil e com os atores engajados no tema. Confira a entrevista.
 
Portal IMPRENSA - Quais os principais pontos identificados pela pesquisa inicial?
Thiago Tavares - Verificamos que o Brasil não tinha uma legislação que pudesse enquadrar os crimes relacionados à pedofilia.  O país tinha assinado a Convenção dos Direitos da Criança em 2004, mas não havia colocado em prática. Verificamos também um problema sério, pois existiam 53 projetos de lei, absolutamente fragilizados e de péssima qualidade. 
 
IMPRENSA - Que outras lacunas foram identificadas?
Tavares - Muitos discursos inflamados, mas pouca ação. Existiam pontos questionáveis. O armazenamento não era crime, uma foto montagem não era crime. Além de lacunas na própria polícia. Existia um gargalo, porque não havia investigação, já que as denúncias não chegavam, simplesmente pelo fato de não ter um canal apropriado.  
 
IMPRENSA - Daí surgiu a SaferNet?
Tavares - Com essas informações, o governo aceitou financiar o projeto e criar a SaferNet. Hoje o principal objetivo é receber e qualificar as denúncias e depois encaminhar para o Ministério Público. 
 
IMPRENSA - Qual a dinâmica do trabalho de vocês?
Tavares - Recebemos a denúncia, acessamos o conteúdo para confirmar se existem indícios de crime e sendo pertinente, preservamos as provas. Depois, produzimos um relatório e um processo de investigação, localizando o provedor.
 
IMPRENSA - Isso é feito de forma automática? 
Tavares - O processo é quase integralmente automatizado, mas ainda temos partes manuais. No longo dos últimos anos, desenvolvemos várias ferramentas para automatizar boa parte do processo e evitar duplicidades. 
 
IMPRENSA - Quantas denúncias vocês já trataram? 
Tavares - Já chegamos a dois milhões de denúncias, de janeiro de 2006 a dezembro de 2010. 
 
IMPRENSA - Quais os principais avanços da sociedade no combate a esse crime?
Tavares - São muitos. A gente conseguiu, por exemplo, construir um diálogo com os provedores. Eu lembro que na época, o Google se recusou a assumir qualquer tipo de responsabilidade. Hoje, Facebook e Myspace, nos procuram antes de instalar novos produtos ou serviços. No âmbito da legislação o avanço foi maior ainda, propomos um projeto de lei que foi aprovado, o 11.829. Na área da polícia, foi criado em junho de 2008, uma unidade especifica para realizar investigações, o que possibilitou um aumento de 2.000% em operações.